segunda-feira, 11 de março de 2013

Em dia com a Igreja


Entenda melhor um dos temas de maior interesse dos cardeais no pré-Conclave

Nova Evangelização

FisichellaDiante da sociedade atual, a Igreja busca novos meios para anunciar a mensagem do Evangelho

Luciane Marins
Da Redação

Dom Rino Fisichella em entrevista ao repórter Ronaldo da Silva, em Roma
Um dos temas de maior preocupação e interesse dos cardeais reunidos em Roma no pré-Conclave é a Nova Evangelização. Diferente do que muitos pensam, e o nome possa de alguma maneira sugerir, a Nova Evangelização não se trata de anunciar um conteúdo novo, mas sim, o mesmo conteúdo anunciado por Jesus, porém de maneira diferente, que seja capaz de alcançar o homem de hoje.
Em entrevista ao jornalista da Canção Nova, Ronaldo da Silva, o bispo responsável mundialmente por esse tema, aprofundou o assunto. Dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, lembrou que os dois últimos Papas, João Paulo II e Bento XVI, já disseram que a Igreja deve dedicar-se à Nova Evangelização com todo o esforço.
O bispo que esteve várias vezes no Brasil e demonstrou simpatia pelo país, destacou que para a eficácia da Nova Evangelização é necessário um coerente testemunho cristão, “o Evangelho nos pede que sejamos coerentes com o nosso testemunho”. Dom Fisichella explicou ainda que a alegria de ter encontrado Cristo deve ser a primeira experiência a ser comunicada e definiu o perfil do Papa que a Igreja precisa para este momento.
Ronaldo da SilvaO que vem a ser esta Nova Evangelização com a qual os cardeais também estão preocupados?
Dom Rino Fisichella – Estão preocupados porque a evangelização é a missão da Igreja nesses anos, João Paulo II, Bento XVI, disseram de forma clara, a missão da Igreja nos próximos anos é dedicar-se com todos os esforços à Nova Evangelização, isso significa termos um convincente encontro com Jesus Cristo, para poder comunicá-lo a todos os homens e mulheres que encontramos no nosso caminho.
Ronaldo da SilvaOnde hoje o senhor enxerga esses exemplos, modelos de Nova Evangelização mundo afora?
Dom Rino Fisichella – Os modelos da Nova Evangelização são os de sempre, antes de tudo devemos encontrar Jesus. Com os nossos olhos devemos olhar nos olhos de Jesus e devemos olhar também a Igreja, apesar das dificuldades que existem, apesar de algumas pessoas não viverem coerentemente sua fé, mas a Igreja é aquela que nos comunica Jesus Cristo. A sociedade de hoje mudou, é outra, nos encontramos com uma cultura diferente, muitas vezes distante de Deus, que não percebe a falta de Deus como uma ausência, nós portanto precisamos ser sempre mais capazes de nos aproximarmos uns dos outros para transmitir nossa alegria, mas lembro que este é também o tempo da comunicação, hoje o encontro se dá também com uma nova cultura, a cultura da comunicação.
Ronaldo da SilvaEm alguma parte do mundo, em algum continente isso está acontecendo mais profusamente?
Dom Rino Fisichella – Sim, mas devemos ser capazes de entrar também nesta cultura e saber expressá-la, creio que devemos ter consciência do grande dom que temos e também da grande pobreza presente no mundo.
Ronaldo da SilvaO senhor destacaria algum continente em que esta evangelização está acontecendo de forma admirável?
Dom Rino Fisichella – Sim, posso dizer que a Nova Evangelização diz respeito sobretudo ao ocidente, àquelas nações que há muito tempo são cristãs, da Europa ao Brasil, dos Estados Unidos ao Canadá, da Austrália as Filipinas. A Nova Evangelização é nova porque deve confrontar-se com um método diferente em uma sociedade diferente, porém não nos esqueçamos que Jesus Cristo é sempre o mesmo, a Nova Evangelização portanto não é um conteúdo diferente, é sempre o mesmo, Jesus é o mesmo, ontem, hoje e sempre e não muda, nós precisamos é ser capazes de encontrar os homens e mulheres de hoje, que são diferentes.
Ronaldo da SilvaFalando diretamente do que está acontecendo no Vaticano nesses dias, o pré-Conclave, os cardeais reunidos, estão destacando justamente a Nova Evangelização. O senhor está contente de saber que esta também é agora a preocupação máxima da Igreja?
Dom Rino Fisichella – Sim, estou também preocupado, mas o Sínodo que tivemos em outubro mostrou que há uma convergência em toda Igreja sobre a exigência da Nova Evangelização, portanto, estou feliz, porque esta é uma exigência que bispos, cardeais, compreendem bem, é uma exigência para toda Igreja, um compromisso que será também para o próximo Papa.
Ronaldo da SilvaVamos levar essa preocupação para cada cristão, para cada leigo. Como devem incomodar-se diante dessa exigência da Nova Evangelização?
Dom Rino Fisichella – Antes de tudo, devemos atuar com muita alegria, alegria de saber que o que nos é dado é grande, é um grande presente. A alegria portanto é a primeira experiência que devemos manifestar, a alegria de ter encontrado Jesus, de sermos por isso felizes por termos encontrado a nós mesmos junto d’Ele e, junto a essa alegria, uma profunda coerência de vida, devemos ser coerentes. O Evangelho nos pede que sejamos coerentes com o nosso testemunho, portanto devemos levar ao mundo o grande testemunho daqueles que são batizados, que vivam bem como batizados. Apesar das dificuldades, dos nossos limites, das nossas contradições, o que conta na verdade é o nosso modo de vida e por último eu diria que devemos ‘arregaçar as mangas’ e saber que devemos retomar o conhecimento de Jesus e da Igreja, por isso estamos no Ano da Fé, porque todos devemos conhecer Jesus, e também o conteúdo do que professamos e nisso estamos todos envolvidos, bispos, sacerdotes e leigos.
Ronaldo da SilvaQue Papa nós precisamos para este momento?
Dom Rino Fisichella – Um Papa segundo o coração de Jesus, que saiba estar totalmente à serviço da Igreja, porém digo uma coisa, quem for eleito, seja quem for, uma vez que se sentará na Cátedra de Pedro é o sucessor de Pedro, venha de onde vier, não é importante nem sua língua, nem sua cor, nem sua nação, seja quem for será Pedro, o sucessor de Pedro, e isso basta.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Em dia com a Igreja


Mysés Azevedo, fundado da Comunidade Shalom A nova evangelização é a inspiração do Espírito para estes tempos

Moysés Azevedo em Roma

Daniel Machado
Enviado especial a Roma
Mysés Azevedo, fundador da Comunidade Shalom
“Este novo Papa, que nós não o conhecemos mas já o amamos, será um Papa com um ardor para a nova evangelização”. Estas são palavras do fundador da Comunidade Shalom, Moysés Azevedo, que se encontra em Roma para acompanhar este tempo especial de eleição do Sumo Pontífice.
Para Moysés a Igreja vive um momento de graça e muito especial na sua história. “Com este gesto de coragem e humildade de Bento XVI eu acredito que se inaugura um tempo de muita graça para a Igreja. Em primeiro lugar um tempo de oração, de dobrar os joelhos e clamar o Espírito Santo. Em segundo lugar eu vejo que se inaugura um tempo de graça para a nova evangelização”, afirmou.
Para o fundador da comunidade Shalom, a expectativa de toda a Igreja gira em torno da inspiração da nova evangelização que Bento XVI tanto trabalhou no seu pontificado. “Estamos num mundo que insiste em viver como se Deus não existisse. Por isso, nós, que fizemos a experiência do Cristo Ressuscitado e sabemos o que é uma vida feliz, temos o dever de ir ao encontro deste homem pós-moderno, aonde quer que ele esteja, para darmos a feliz notícia de que Jesus Cristo é a verdadeira felicidade, a verdadeira reposta para o coração do homem”, concluiu Moysés.
Congregações Gerais
O Colégio Cardinalício entrou, nesta quinta-feira, 7, no 4º dia das congregações Gerais. Segundo padre Federico Lombardi, durante coletiva da ultima quarta-feira, o tema da nova evangelização é um dos assuntos mais tratados durante as reuniões dos purpurados.
Nesta quinta-feira completa-se o número dos Cardeais votantes segundo informações do Vaticano. Em entrevista exclusiva para a Canção Nova, o Cardeal brasileiro Dom Damasceno afirmou que, com o número de Cardeais completos, o Decano já poderia sugerir ao plenário uma possível data para o Conclave.

Em dia com a Igreja

Veja como foi o 3ª dia do Pré-Conclave em Roma


Da Redação, com news.va


Os Cardeais reuniram-se de novo nesta quarta-feira, 6, para a quarta Congregação Geral dos Colégio Cardinalício, em Roma, prosseguindo com diversas intervenções livres sobre a situação da Igreja e do mundo e o perfil do futuro Papa, que será eleito no Conclave, cuja data de início ainda não foi divulgada.

Do total de cardeais votantes, 113 já estão em Roma, faltam apenas dois, o de Varsória e do Vietnã, segundo informações divulgadas hoje pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

A presença de todos os cardeais votantes é uma exigência para que o Conclave possa ser antecipado, segundo o Motu Proprio promulgado por Bento XVI, antes de deixar o Pontificado. O documento altera as regras para o início do Conclave, que antes deveria ser realizado entre 15 e 20 dias depois do início da Sé Vacante.

Nesta tarde, às 17h (horário de Roma, 13 em Brasília), os cardeais se reúnem na Basílica de São Pedro, no Vaticano, para rezar pelo Conclave. A celebração é aberta aos fiéis.

terça-feira, 5 de março de 2013

Em dia com a Igreja

Domingo sem Angelus, após renúncia de Bento XVI

Este foi o primeiro domingo sem a oração mariana do Angelus, após a renúncia ao ministério petrino de Bento XVI e início da Sé Vacante.
Desde o início de seu pontificado, milhões de pessoas, todos os domingos, esperaram por Bento XVI para ouvi-lo e rezar com ele a oração do Angelus, ao meio-dia, na Praça São Pedro.
Em quase oito anos de pontificado, por 455 vezes, de maio de 2005 a fevereiro de 2013, aquele momento tornou-se uma ocasião privilegiada para o Papa emérito falar aos fiéis como um mestre de fé sólida e compreensível. Um guia que imediatamente deixou claro o fundamento de seu magistério: “A palavra que resume toda a revelação é esta: Deus é amor e o amor é sempre um mistério, uma realidade que ultrapassa a razão, sem contradizê-la, mas exalta o seu potencial”, disse o pontífice.
Estas palavras foram proferidas por Bento XVI em 22 de maio de 2005 em seu primeiro Angelus da janela da residência apostólica vaticana. Naquele dia, começou a se delinear a função e o valor que Bento XVI atribuiu ao Angelus: fazer uma pequena homilia sobre a liturgia do dia, a lectio divina em forma breve com a qual todos os domingos, na igreja a céu aberto da Praça São Pedro, o Papa teólogo tornou-se pároco para aqueles que pararam para ouvi-lo no meio da multidão ou diante da televisão, pelo rádio, ou pela internet.
O pontífice incentivou os cristãos a redescobrirem a beleza do domingo: “Toda paróquia é chamada a redescobrir a beleza do domingo, Dia do Senhor, em que os discípulos de Cristo renovam na Eucaristia, a comunhão com Aquele que dá sentido às alegrias e dificuldades de cada dia. Nós não podemos viver sem o domingo: assim professaram os primeiros cristãos, mesmo a custo da própria vida, e assim somos chamados a repetir hoje.”
Em seu último Angelus, de 24 de fevereiro, Bento XVI disse: “Obrigado pela vossa presença e todas as manifestações de afeto e solidariedade e, sobretudo, pelas orações neste momento particular para mim e para a Igreja. Desejo a todos um bom domingo e uma boa semana. Obrigado! Estamos sempre unidos na oração.”

Em dia com a Igreja - Papa

Cardeais enviam mensagem a Bento XVI

Nesta terça-feira

Os Cardeais, reunidos em Roma, na Congregação Geral do Colégio Cardinalício, enviaram nesta terça-feira, 5, um telegrama ao Papa emérito, Bento XVI. A mensagem foi assinada pelo Cardeal decano Angelo Sodano.
Leia, abaixo, a íntegra do telegrama
“Os Padres Cardeais reunidos no Vaticano para as Congregações gerais em vista do próximo Conclave enviam a Sua Santidade uma uníssona saudação com a expressão da renovada gratidão por todo o luminoso ministério petrino de Sua Santidade e pelo exemplo dado de uma generosa solicitude pastoral para o bem da Igreja e do mundo.
A gratidão dos Cardeais quer representar o reconhecimento de toda a Igreja pelo incansável trabalho de Sua Santidade na vinha do Senhor.
Os membros do Colégio Cardinalício confiam, enfim, nas orações de Sua Santidade pelos cardeais, assim como por toda a Santa Igreja”.
 

Em dia com a IGREJA


Entenda o que acontece na congregação geral dos cardeais

Reunião do colégio cardinalício

Da Redação, com Rádio Vaticano
Os cardeais que estão em Roma já estão participando nesta segunda-feira, 4, da 1º Congregação Geral do Colégio Cardinalício. Este é o primeiro momento em que eles se reúnem para começar a discutir assuntos relativos ao Conclave, sendo uma das decisões a data e horário de início da eleição do novo Pontífice.
A Congregação geral inclui também os cardeais não-eleitores. Ela é realizada na Sala do Sínodo e presidida pelo Decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Angelo Sodano.
Durante tais encontros, é estabelecida uma série de decisões antes do Conclave, como, por exemplo: predispor os locais da Domus Sanctae Marthae, onde se hospedarão os cardeais – os quartos serão assinalados através de sorteio – e da Capela Sistina para as operações relativas à eleição. Os cardeais são chamados também a escolher entre eles “dois eclesiásticos que espelham doutrina, sabedoria e autoridade moral” que deverão realizar “ponderadas meditações sobre os problemas da Igreja”.
Além disso, as congregações gerais também estabelecem a data e hora de início do Conclave; inutilizam o anel dos pescador e os carimbo de chumbo do Pontífice precedente.
Já na Congregação particular, reúnem-se o cardeal camerlengo e três cardeais – um pela ordem dos bispos, um pelos presbíteros e outro pelos diáconos – sorteados entre os eleitores. Estes últimos têm a tarefa de assistir a Congregação particular nos serviços ordinários, sobretudo durante a eleição. O cargo dura três dias, e depois e se procede a um novo sorteio.

Em dia com a Igreja

Capela Sistina já está fechada ao público

Preparativos para o Conclave

O fechamento da Capela Sistina  acontece para iniciar os preparativos do local para o Conclave
Da Redação
A Capela Sistina, no Vaticano, já está fechada ao público a partir desta terça-feira, 5, para iniciar os preparativos do Conclave. É nela que acontecem as votações para a eleição do Papa, eleição da qual vão participar 115 cardeais, sendo que 110 deles já estão em Roma.
A partir de hoje estão restritos para o público o percurso dos Museus do Vaticano que incluem a Capela Sistina, o Apartamento Borgia e a Coleção de Arte Religiosa Contemporânea.
A preparação da Capela Sistina é uma das etapas para o início do Conclave. Além disso, os cardeais estão se reunindo desde ontem, 4, nas chamadas Congregações Gerais, para definir alguns aspectos referentes à eleição do novo Pontífice.